Perguntas & Respostas com Kaká

Publicado em 12 de Maio 2020

Este artigo é parte da série de apresentação dos oradores do The Global Leadership Summit 2020, no qual mostramos o conteúdo do #GLS20. Esta é uma ótima oportunidade para saberes o que podes esperar dos oradores incríveis que ouviremos este ano!

Um suspiro audível percorreu a plateia quando anunciamos que a estrela do futebol Kaká se juntaria a nós no #GLS20. Um dos nomes mais influentes no desporto, ele irá partilhar insights de liderança dos seus 15 anos de carreira. Leia a entrevista abaixo para obter mais informações sobre as práticas de liderança que construíram este meio-campo e capitão de equipa inovador.

Disciplina e sacrifício levaram Kaká ao topo no futebol, enquanto sem isso nunca avançou no mundo da música.

Aos 35 anos, Ricardo Izecson dos Santos Leite, ou simplesmente Kaká, recorda uma carreira que poucos conseguem igualar no seu desporto. Ele ganhou tudo o que havia para ganhar no futebol, mas o mais importante é que ele nunca perdeu a paixão pelo jogo.

Quando a sua carreira se encerrou, entrevistei este jogador para refletir sobre a criatividade que encantou as multidões de pessoas nos estádios de San Siro, Barnabéu e Maracanã e discuti o que ele aprendeu sobre liderança e motivação como capitão de equipa.

P: Quando tu entras em campo, algo sobre ti muda. O que é?

A confiança e a motivação que tu tens quando entras em campo muda toda a tua postura. É como se estivesses a lutar. Tu estás a lutar pela tua vida e, nesse momento, o teu corpo mostra toda a força, poder e agilidade que ele possui.

P: Também mostra uma criatividade incrível.

Sim, eu amo ser criativo. Para mim, criatividade é construir algo do nada. Mas é preciso mais do que se imagina para fazer isso. Mais importante, precisas identificar a fonte da tua criatividade e aproveitar isso. No meu caso, a minha criatividade em campo depende muito dos meus instintos.

P: O que fazes para desenvolver os teus instintos?

É tudo sobre treino e tentativa. O meu corpo precisa aprender do que é capaz. Repito certos exercícios todos os dias para internalizar movimentos e reações. É preciso coragem para experimentá-los num jogo quando estás sob pressão. Mas precisas dessa coragem ou nunca criarás algo diferente dos outros.

P: A paixão pelo jogo não é suficiente para chegar ao topo. Por que conseguiste ser bem-sucedido?

A minha paixão pelo jogo sempre foi sobre a disciplina e sobre o sacrifício que eu tinha que fazer para alcançar o que eu realmente queria. Todas as pessoas têm um sonho. Mas depende do que estás disposto a sacrificar para alcançar esse sonho. Se não estás determinado o suficiente, isso continua sendo um sonho. Certa vez, eu sonhei em aprender a tocar viola, mas não fiz nada para aprender e por isso nunca aconteceu. Quando eu comecei a sonhar em me tornar um jogador de futebol, sacrifiquei tudo para alcançar o meu objetivo e, felizmente, correu tudo bem.

P: Tu estás nesta área há muito tempo. Já alguma vez perdeste a tua motivação?

Sim, eu perdi minha motivação algumas vezes, seja por lesões ou por maus resultados. Noutro momento, foi simplesmente porque eu tinha conseguido ganhar tudo o que havia para ganhar. Enquanto jogador de futebol, ganhei a Liga Italiana, a Liga dos Campeões e a Copa do Mundo. O que eu iria ganhar depois disso? Eventualmente, eu decidi focar-me no meu desenvolvimento pessoal. A partir desse dia, eu esforcei-me muito para ser melhor hoje que ontem - nos meus negócios, como pai, como parceiro e em todas as outras áreas da vida.

P: Como capitão de equipa, também precisas motivar os teus jogadores. Como fazes isso?

Percebi que a melhor motivação para os meus jogadores foi quando eles me viram a liderar por exemplo. Enquanto capitão, tento sempre ser o primeiro a chegar ao treino. Quando estás a trabalhar mais do que todos os outros, já fizeste muito. Claro, às vezes precisas ter uma palavra para fazer uma observação, mas as tuas ações falam sempre mais alto que palavras.

No final, todos os jogadores são diferentes e as situações em que estão também. Precisas considerar isso antes de dar conselhos. Alguns jogadores precisam de uma pressão extra, outros precisam de alguém que esteja lá para eles. O conselho que dou também depende do caráter do jogador e do relacionamento que temos. Embora se precise ter muito cuidado com as palavras e ações, sempre gostei de assumir essa responsabilidade como capitão.

 

Artigo em inglês: https://globalleadership.org/articles/leading-yourself/how-kaka-found-perfect-pitch